No último dia 22, o governo ilegítimo de Michel Temer anunciou a Medida Provisória (MP) que institui o Programa Seguro e Emprego (PSE), que altera drasticamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para permitir que negociado prevaleça sobre o legislado.
O texto, construído sem a concordância da CTB, retira direitos trabalhistas adquiridos e consolidados, como férias, jornada de trabalho e o principio da ultratividade, que suspende os efeitos da Súmula 277 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que estabelecia a ultratividade dos contratos coletivos de trabalho.
Pela Súmula, as cláusulas de um Acordo ou Convenção Coletiva, assinada entre sindicatos patronais e de empregados, continuariam em vigor até que surgisse novo instrumento jurídico entre as partes. O parecer acaba com a renovação automática de cláusulas sociais como, por exemplo, o vale-alimentação, entre outros benefícios.
Para o assessor jurídico da CTB e especialista do direito do trabalho, Magnus Farkatt, o governo ilegítimo de Michel Temer segue em sua ofensiva contra a classe trabalhadora, elaborando MP totalmente patronal. “Mais uma vez esse governo anuncia uma medida que acaba com direitos adquiridos e estabelece a existência de uma modalidade de contratação precária. É uma iniciativa que atende aos interesses dos empresários”, afirma o especialista.
De acordo com Farkatt, o governo quer tornar permanente, uma proposta apresentada pelo governo Dilma para tempo de crise, o Programa de Proteção ao Emprego (PPE). “Porque se você na verdade se mantém em caráter permanente, ainda que em tempos de crise, um contrato com a possibilidade de redução de jornada com redução de salários, isso é privilegiar um tipo de contratação precária. O programa se trata disso”.
De acordo com o texto, as partes poderão negociar o parcelamento de férias anuais em três vezes, com pagamento proporcional; jornada de trabalho cuja duração seja diferente de oito horas diárias e 44 semanais — limitadas a 12 horas por dia e 220 horas mensais. Também constam na lista de questões que podem ser negociadas o parcelamento de Participação nos Lucros e Resultados da Empresa, as horas em que o trabalhador está em deslocamento e intervalo intrajornada, com limite mínimo de 30 minutos.
Além disso, o jurista chama a atenção para o dispositivo que permite às partes contratantes fixar jornadas de trabalho superiores a jornada de 8h diárias ou 44 horas semanais, estabelecendo um limite de até 12h por dia ou 22h por mês. “Abre-se um precedente muito grave ampliando a jornada de 12h, aplicada hoje a casos excepcionais, como profissionais da saúde e da segurança pública. Essa medida provisória permite que se rompa um limite constitucional de 8h diárias e 44h semanais. O que é muito prejudicial para a saúde dos trabalhadores. Além do que não existe uma limitação da jornada semanal do trabalho”, alerta Farkatt.
Questionado sobre a consequência prática da proposta, Farkatt afirma que do ponto de vista da saúde do trabalhador é altamente prejudicial. “E o governo com essa proposta de flexibilização cria condições piores de trabalho, fazendo com que a exceção se torne regra geral”, afirma.
Farkatt ainda chama atenção para outro aspecto da MP que estende o contrato temporário de trabalho de 90 dias para 120 dias. “Hoje a contratação do trabalho temporário é celebrado para atingir uma demanda específica, como em período de Natal. No entanto, isso não interessa ao trabalhador que prefere ser contratado em caráter permanente. Portanto, essa modalidade de contratação é desvantajosa para o trabalhador e o governo quer aumentar de 90 para 120 dias o prazo de vigência de um contrato temporário. Ou seja, amplia uma modalidade de contratação considerada
Diante de tamanhos ataques desferidos com a classe trabalhadora, primeiro com a provação da PEC 55 e agora com essa MP, para especialistas e sindicalistas o caminho a ser trilhado é o da resistência e da mobilização. “O movimento sindical vai ter que ampliar sua resistência contra essa MP para garantir que ela não se converta em lei. Porque só assim conseguiremos garantir os direitos trabalhistas e evitar mais esse retrocesso imposto à classe trabalhadora”, finalizou Magnus Farkatt.
Sinterp-MA Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Rede Particular do Maranhão.
Sou brasileiro. Antes tinha orgulho, hoje, me envergonho! Ao saber de tantas roubalheiras, tantas descomputuras, tantas safadezas que se praticam no Congresso Nacional e nos três poderes que tinham a obrigação de zelar pela nossa saúde, educação e moradia, só se preocupam com o próprio ,bem estar.Isso é uma vergonha! Infelizmente, nós pobres brasileiros, após tantas manifestações ficamos pressos nas mãos de vagabundos e ladrões que assaltam e roubam através de leis fraudulentas e decretos indecorosos, aumentando preços e impostos, nos causando cada vez mais prejuízos e nos levando à miséria. VIVA O BRASIL.
muito bom o seu artigo