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Depois da Reforma Trabalhista, condenação de Lula escancara novo capítulo do golpe

As forças golpistas que tomaram de assalto o Brasil já não disfarçam mais seus propósitos de aprofundar e consolidar todos os retrocessos que tentam impor à sociedade brasileira para beneficiar apenas seus próprios interesses e os da elite econômico-financeira. Evidência disso é a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão dada nesta quarta-feira, 12 de julho. A sentença foi proferida menos de 24 horas depois de o Senado aprovar, por 50 votos contra 26, o Projeto de Lei 38/2017, que destrói a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no país.

Engana-se quem pensa que as questões não estão interligadas. De um lado, a condenação em primeira instância de Lula, que agora domina todo o noticiário da “grande mídia”, aliada e promotora do golpe, desvia o foco da aprovação da Reforma Trabalhista acontecida na noite da última terça-feira, dia 11. De outro, se ontem 50 senadores fizeram a legislação trabalhista brasileira regredir um século, a sentença dada por Moro hoje vai no sentido de fustigar a mais bem posicionada liderança popular nas pesquisas eleitorais e — embora haja recursos e ele ainda não esteja inelegível — impedir a principal candidatura popular numa futura disputa direta nas urnas, agora ou em 2018. Os golpistas sabem que, para sacramentar o regresso conquistado no Congresso, precisam ganhar as eleições, o que, para eles, é muito difícil com Lula no páreo.

Lula foi, hoje, condenado por suposta corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá, baseado apenas em “convicções” e na mais completa ausência de provas. A decisão de Sérgio Moro, portanto, representa uma perseguição e escancara a face de um juiz que age movido por interesses políticos, passando por cima de seu papel de zelar pela Justiça e atropelando o Estado democrático de direito.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee expressa seu repúdio pela condenação e seu apoio ao ex-presidente, um operário que se transformou num líder histórico e que muito contribuiu, em seus dois mandatos, para grandes avanços sociais no Brasil — avanços que estão sendo solapados agora pelos golpistas, com tristes notícias para o país, como os altos índices de desemprego e seu retorno para o mapa da fome.

Não se trata, no entanto, apenas de defender Lula. Independentemente de posições ideológicas, o que está em jogo é a defesa do Estado democrático de direito e de um julgamento justo, bem como da democracia brasileira, da verdadeira Justiça, dos trabalhadores e trabalhadoras, da revogação das medidas que retiram direitos e da construção de uma sociedade mais justa, humana e fraterna.

Brasília, 12 de julho de 2017.

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